Domingo, Março 11, 2012

Só apoio de massa livra Dilma das garras dos reacionários

Concordo com a nota das ONGs ambientalistas contra o Governo Dilma, mas discordo do direcionamento da acusação pessoalmente à presidenta, como se fosse da vontade dela permitir o maior retrocesso ambiental no Brasil desde a ditadura.

Mantenho meu humilde apoio político à ex-companheira da VAR Palmares, por sua história, competência e honestidade.

O retrocesso ambiental decorre não tanto da posição "crescimentista" da companheira economista (como disse-me recentemente o economista Ricardo Abramovay) mas sim da falta de apoio de massa que compense o reacionaríssimo congresso eleito pelo agronegócio exatamente para desmontar legislação ambiental brasileira.

Colegas especializados advinham que Dilma não vai vetar o Código Ruralista, digo "Florestal", pois teria sido feito com os parlamentares  "o acordo possível" para se votar semana esta semana na Câmara.

Será realmente um desastre para a Rio+20, para a imagem do governo Dilma no mundo inteiro e principalmente para a proteção ambiental neste país.

Wanda, lembra das teorias conspiratórias que nos cercavam quando ainda não nem havia este termo? Que o general Albuquerque era nacionalista e iria salvar-nos  da derrota militar em 1970, por exemplo?

Pois é, permitir tal retrocesso da política ambiental e a continuidade do avanço da destruição da Amazônia alimenta a teoria conspiratória de que somente uma intervenção internacional, através de uma futura ONU com capacetes verdes e não mais apenas azuis, salvaria a floresta para as futuras gerações e para o clima planetário.

É o fim das eras, parece coisa de fim do mundo em 2012, não parece?

Parece não, é real o pesadelo - mas quem topa compensar com gigantescas mobilizações e  apoio de massa a falta de apoio politico e militar à heroína da nossa geração 68?

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

Presença de movimentos em Pinheirinhos não diminui culpa do governador e do prefeito

Entende-se a ânsia pelo ângulo novo, em fatos sem novidades além de tudo que já se falou. Mas a tentativa de achar um novo gancho só para chamar de seu pode levar a distorções que comprometem o grau possível de imparcialidade relativa da mídia.


Alguns comentaristas tem procurado tirar o foco da questão Pinheirinhos do escândalo da remoção violenta de 1,6 mil famílias assentadas em terreno de empresa falida em São José dos Campos (SP), para dividir a responsabilidade pela tragédia com os poucos ativistas de movimentos sociais, ongs e pequenos partidos de esquerda.


Como se o crime não fosse a violência da PM e da guarda municipal, mostrada em inúmeros videos na tv e na internet, mas sim a tentativa dos ativistas de organizar os pobres e ensiná-los a se defender da brutalidade policial, inclusive como prática política para ampliar a influência destas correntes nas eleições.


Óbvio que tudo é político mesmo, fenômenos sociais que fazem parte da relação política de exclusão dos pobres e da concentração de riqueza no capitalismo financeiro. 


Insistir no abrandamento da culpa dos governos de SP e principalmente de São José dos Campos, só porque o PSTU e outras dezenas de correntes estavam envolvidas nas disputas de Pinheirinho, dá a impressão de que existe uma posição editorial a priori, muito restrita, quase manipuladora, sobre como o debate deva ser conduzido.


Muito estranho... então remover com barbárie os pobres assentados pode, mas militantes esquerdistas se juntar às famílias para ajudá-las a se defender não pode?


PS - Pois ví gente na tv tentando fazer isso, acredita?

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Presidenta diz que "Pinheirinho foi barbárie".

A presidenta Dilma Rousseff e a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticaram duramente a ação policial na remoção de 1,6 famílias do assentamento de sem-terras denominado Pinheirinho, em São José dos Campos (SP).


"Pinheirinho é barbárie", disse ela, na mesma linha adotada mais cedo pela ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário. Ambas participaram em Porto Alegre (RS) do Fórum Social Mundial. 


O governo federal estava negociando com as partes, em busca de uma solução negociada, quando foi surpreendido pela ação da guarda municipal de São José dos Campos e da Polícia Militar, cumprindo ordem do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.


Fonte: Carta Maior

Dilma mostra quem manda e demite diretor do DNOCS apadrinhado pelo líder do PMDB

Mostrando mais uma vez quem manda no Governo, a presidenta Dilma Rousseff demitiu Elias Fernandes Neto da diretoria-geral do enrolado Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), contrariando quem o indicou, o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, ambos do Rio Grande do Norte.


Elias é acusado de ter liberado verbas irregulares da ordem de R$ 300 milhões, de acordo com a Controladoria Geral da União (CGU), além de ter destinado a maior parte dos recursos do órgão para municípios de seu estado, onde ele e seu padrinho tem interesse em eleger os prefeitos no final deste ano.


Com isso a volta dos trabalhos do Congresso na próxima semana promete esquentar o clima político, pois Henrique Eduardo Alves era quem dizia garantir a fidelidade de seus liderados nas votações de interesse da presidenta, com mais unanimidade do que o próprio PT.


Além disso, pelo acordo entre PMDB e PT, daqui a um ano seria a vez de o PMDB indicar um nome a ser eleito presidente da Câmara, enquanto o PT teria o mesmo direito no Senado, invertendo a situação atual. Mas este acordo ja estava melando mesmo, pois o PT não quer largar o comando da Câmara exatamente no período que vai anteceder as eleições presidenciais de 2014.


Quem conhece o PMDB em Brasilia, no entanto, aposta que nada mudará - pelo menos nas aparências. No momento de votações difíceis, envolvendo por exemplo o fundo de previdência complementar dos servidores públicos ou mesmo o Código Florestal, é que será possível avaliar se o fisiologismo continuará falando mais alto do que as ameaças feitas no dia anterior pelo líder peemedebista.


Mas que foi uma bela demonstração de força por parte de Dilma, isso foi. Tanto quanto ela ter enfrentado os companheiros Fidel e Raul Castro, em Cuba, concedendo visto à blogueira dissidente Yoani Sanchez poucos dias antes de aterrisar em Havana.



Quarta-feira, Janeiro 25, 2012

Filósofo militante, ativista espancado e preso em Pinheirinho vira exemplo para a juventude

Ensanguentado, algemado e preso pelos guardas municipais de São José dos Campos (SP), o ativista Guilherme Boulos, 29, é um exemplo para a juventude brasileira neste momento.

Filho do médico Marcos Boulos, do Hospital das Clínicas de SP, Guilherme formou-se em Filosofia e, em vez de reproduzir sua condição de classe, engajou-se há 10 anos nos movimentos sociais de esquerda, lutando por ideiais de justiça social.
Na sequência final, a prisão de Guilherme Boulos
Convardemente agredido diante de câmeras pelos vândalos da Guarda Municipal do prefeito de São José, Eduardo Coury (PSDB), ajudada pela  PM do governador de São Paulo, Geraldo Alkmin (PSDB),  o militante só foi solto após os movimentos sociais pagarem fiança.

Casado, com duas filhas, mora num assentamento em Taboão da Serra (SP) e hoje é coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. No acampamento de Pinheirinho, tentava organizar uma reunião de emergência para resistir à brutalidade policial contra a população pobre.

A Justiça Federal já havia dado liminar suspendendo a reintegração de posse do terreno que integra a massa falida do escroque Naji Nahas, mas o Tribunal de Justiça de SP resolveu o contrário. Ao lado do TJ-RJ, o TJ-SP vem sendo investigado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) por suspeita de venda de sentenças e recebimento de mega-salários ilegais por juízes e desembargadores.

Reprovada pelo Governo da Presidenta Dilma, a decisão  de retomar o terreno teria sido motivada por interesses das construtoras, que costumam fazer doações milionárias a candidatos que defendem a especulação imobiliária.

Os prefeitos do PSDB  e seus aliados de direita na região do Vale do Paraíba vão sentir o efeito da propaganda negativa da repressão contra o povo pobre que não tem onde morar.

E o militante Guilherme Boulos transformou-se em símbolo da juventude combativa e corajosa que luta ao lado dos pobres, honrando a geração anterior que, assim como Dilma Rousseff, pegou em armas para enfrentar a ditadura militar de 1964-1985.