Sexta-feira, Maio 25, 2012

Dilma, a presidenta ambientalista?

Veto de Dilma ao projeto ruralista do Código Florestal foi menos do que queriam os ambientalistas - veto total - mas muito mais do que gostariam os ruralistas. Principalmente no PMDB que ajuda a dar sustentação ao governo no Congresso. Está aí uma demonstração do que a mobilização popular pode conseguir, especialmente quando se tem a sorte de sediar daqui a algumas semanas a Rio+20, ótima fonte de pressão da opinião pública internacional. A companheira sairá bem na foto. Não chega a ser uma guinada ambientalista da presidenta que era tida como desenvolvimentista - mas quem sabe ela deixa de ser "crescimentista" e adere ao modelo de desenvolvimento sustentável? Se tem esta intenção é bom expô-la logo. Há poucos dias deu um sinal antiecológico ao tentar reativar a economia subsidiando o velho setor automobilístico, em vez de olhar para o futuro e usar o dinheiro que economiza com a baixa dos juros para investir em soluções sustentáveis para as grandes cidades, como metrô, carros menos poluentes e energia alternativa. Mesmo porque vai precisar do apoio da opinião pública para enfrentar a fúria dos grandes fazendeiros e de todo o agronegócio, nas próximas semanas, quando se articularem contra os vetos ao Código Florestal e a medida provisória a ser enviada ao Congresso.

Sábado, Maio 12, 2012

Comissão da Verdade: interessam corações e mentes

Após a histórica decisão da presidenta Dilma Rousseff, indicando os membros da Comissão da Verdade, voltou a aparecer aqui e acolá a palavra "revanchismo". Afinal, seria algo como os militares e civis que cometeram crimes estivessem com medo de serem presos, torturados e mortos? Está claro que não é este o caso, o que a lei manda fazer na comissão é apenas levantar e expor o que aconteceu de fato, sem qualquer preocupação com punição e sob a vigência da lei da anistia. Um dos integrantes da CV, Claudio Fonteles, resumiu a resposta a quem esteja preocupado com isto: é 'bobagem enorme' pensar em revanchismo. Basta raciocinar um pouco para entender que não passa de reação da direita contrária à verdade. Seria como se a inteligencia de esquerda deixasse de lado o objetivo estratégico que é colocar na História o que aconteceu, em troca de apenas punir responsáveis. O que se quer é conhecer o que ocorreu para que seja menor a probabilidade de isto se repetir. E principalmente para reforçar o apreço pelo estado de direito e democracia. Revanche, no original francês é a atitude de quem se sente ofendido por outro e efetua contra ele uma ação mais ou menos equivalente. Algo como "desforra". Realmente besteira. O que interessa são corações e mentes. Que a verdade e esteja disponivel nos arquivos nacionais, a todos - inclusive a escritores de livros didáticos de história.

Sábado, Abril 28, 2012

Código Florestal e Cachoeira: tudo a ver com falta de reforma política

Sem a reforma política que acabe com o financiamento empresarial das campanhas eleitorais o país continuará nas mãos dos Carlinhos Cachoeiras da vida, tanto quanto dos empresários ruralistas que dominam a atual legislatura na Câmara dos Deputados, impondo derrotas ao meio ambiente e à ética da transparência. Vetar o Código Florestal, mesmo que parcialmente, é importante e pode até impedir a vergonha nacional na Rio+20, quando esta situação ficará escancarada ao resto do mundo. Ir adiante com as investigações da Polícia Federal, do Supremo e agora da CPI do Cachoeira é fundamental, cassando todos os parlamentares envolvidos e avançando na luta contra a corrupção. Mas nem uma coisa nem outra ficará resolvida para o futuro se não cortar o mal pela raíz - no caso, a promiscuidade entre política e negócios, ilegais como os caça-níqueis e legais como as fazendas e o agronegócio que degradam os solos, as matas e os rios. O vínculo entre a corrupção do esquema Cachoeira e o escândalo da imposição do retrocesso ambiental por parte de uma bancada eleita especificamente com esta missão está no sistema político-eleitoral baseado no financiamento das campanhas políticas por empresas. Como dominou o Congresso nas últimas eleições, o empresariado rural detona o meio ambiente e impede que se avance com a reforma política. Sem a liderança da presidenta Dilma pela reforma política - e principalmente sem mobilização da opinião pública nas redes sociais e nas ruras - continuaremos ainda por muito tempo enfrentando atrasos e retrocessos, tanto na questão ambiental quanto na moralidade da coisa pública.