Domingo, Maio 28, 2006

Situação tá de vaca não reconhecer bezerro

Melhor das primeiras expressões antigas que conheci no inicio da carreira em Brasilia, aplica-se hoje muito bem ao que está ocorrendo nas tratativas deste fim de semana para as alianças da direita nas eleições de outubro no DF. O ex-governador Joachim Roriz (PMDB) deve ser candidato ao Senado, apoiando em Brasília a aliança com o PSDB local da atual governadora Maria Abadia e Tadeu Filipeli (PMDB). Mauricio Correia (PMDB) também aceitaria ser vice da Abadia, mas é pouco provável. Para o campo da direita, a história deixou como alterantiva a existência de dois palanques, o que criou uma baita crise local estes dias. Por isso tem gente não reconhecendo padrinho e gente mudando de lado de acordo com as ofertas dos adversários. Embora tudo possa acontecer também, como diz o Franklin Martins - uma no cravo outra na ferradura para depois a gente não ser acusado de ter errado na análise. Acho vejo que a esquerda até que está caminhando bem, pois conta com a história de seu lado. E o apoio prometido de Lula, que terá muito voto, principalmente da periferia, apesar de no Plano, Lagos e condominios de classe média o PT ter perdido a confiança. Mas certamente que Na perferia Lula terá muito voto, além do pessoal que faz a análise de que o PT ja fez autocrítica e merece apoio para não entregar de novo para a direita social-democrata. Conversei com várias pessoas, inclusive com (futuro governador) Agnelo Queiroz (PCdoB) no aniversário do Chico Floresta(PT), na noite anterior, e ví que, apesar da candidatura de Arlete (PT) já estar nas ruas, o clima entre todo mundo é de ânimo, inclusive porque os grandes candidatos a presidentes que puxarão voto no DF serão Lula entre o povão (e o PT) e, aqui no Plano Piloto, nosso professor Cristóvam Buarque, além da socialista-libertária Heloisa Helena(PSOL). Então ficamos assim. E o PV local? Bom, vários militantes históricos, como os professores Moacir Arruda e o Adolfo Fuica, estavam na mesma festa da esquerda em Brasília... também militantes de Goiás, do entorno... As cartas estão postas, a situação é clara. Quem fez a análise mais adequada sobre o que vem por aí foi o presidente nacional do PV, José Luiz Penna: nessa ebulição toda que está o quadro partidário, com a grave crise ético-política fazendo um ano, quem sabe o que os velhos partidões querem com o absurdo dos 5% não é tentar impedir a consolidação de forças emergentes novas no quadro político brasileiro, que eles perceberam que podem crescer nas urnas e vir a ser o fiel da balança da governabilidade no Parlamento? As forças emergentes que a velha elite politica corrupta gostaria de impedir que se tornassem a terceira via, a terceira força na Câmara, seriam formadas pelos atuais partidos ideológicos de esquerda e centro-esquerda, ameaçados pelos 5% da cláusula de barreira mantida pelos partidões ano passado, como uma salvaguarda contra uma espécie de revolução democrática que poderia surgir no rastro da crise política do mensalão. E sobre as candidaturas do PV local, eim? O Eduardo Brandão, presidente do PVDF, é o candidato a deputado federal e há uns 40 militantes disputando o direito de sairem para distrital, pelo que têm me informado desde que a executiva votou pela minha substituição no Diretório Local, porque bombardeei como pude a pretensão direitista de fazer aliança com o nobríssimo deputado José Roberto Arruda, que no passado fraudou o painel do Senado com o Antônio Carlos Magalhães, no espisódio ligado ao ex-senador cassado Luis Estêvão, condenado por corrupção ligada ao Juiz Lalau etc e tal. Felizmente houve bom senso, a bancada verde foi ouvida e o Eduardo fechou com o Agnello. Entonces, está encerrado meu período de dissidência, pelo menos da minha parte. Estamos às ordens, menos para ser candidato porque dessa vez realmente... a situação também para nós, que temos história, a situação também está de vaca não reconhecer bezerro diante do que vem por aí com o esgarçamento do tecido social pela falta de uma política econômica de crescimento e distribuição já da terra e da renda. Veja mais em www.joaoarnolfo.blog.com e deixe seus comentários, a politica verde com P maíúsculo agradece. O meio ambiente também!

Sábado, Maio 27, 2006

Economia em calma, política idem - mas a crise agora é social

Visto meses depois, foi um ato de injustiça a cassação do José Dirceu e depois a abolvição de uns dez outros deputados acusados de serem parte do esquema do mensalão. Ou se cassavam todos que tinham evidências ou não se cassava ninguém, mas escolher só um bode expiatório não deu certo e aumentou o descrédito do Parlamento, pois a crise continuou paralisando os trabalhos. Daquela época pra cá, o fato mais importante foi a queda do ex-ministro Antonio Palocci e a tranquilidade como se aceitou a troca no Ministério da Fazenda. A economia navega comme il fault, sob comando do professor Guido Mantega, da turma desenvolvimentista da USP. Presidente Lula mantém boa margem de ldierança nas pesquisas de opinião para ser reeleito em primeiro turno, mas ainda falta muita água para rolar. A crise estrutural do subdesenvolvimento brasileiro aprofunda-se agora com o esgarçamento do tecido social, consequência de políticas não-suficientemente distribuidora de renda. A evidência de que entramos em nova fase da crise brasileira aparece com o que deverá ser chamado nos livros de história como a Rebelião do PCC, comparável às antigas agitações urbanas dos séculos XIX, agora com umas 150 mortes em poucos dias, em combates em São Paulo entre narcotraficantes, policiais e esquadrões da morte revividos pelo clima de guerrilha urbana, disputa pelo lucro das drogas e pobreza na maior cidade da América do Sul.